Sobre a beleza do processo...

Dia desses li em uma dessas frases de motivação no Instagram: se você quer que alguma coisa mude, seja a mudança!

Fácil falar, difícil acompanhar o processo, dia a dia sem ficar ansiosa com tudo que vem junto dele. A verdade é que enquanto estamos criando temos uma expectativa do que aquilo pode ser e também uma certa ansiedade para ver aquilo “explodir”. O que a gente esquece é que o todo é mais sobre o processo do que sobre a “linha de chegada”. Posso estar soando um pouco abstrata, então vou tentar exemplificar…

Um exemplo de processo que vejo é o que o meu companheiro de vida chama grupo de composição coletiva. A ideia é reunir pessoas com muito ou pouco conhecimento de música, para juntos compor de um jeito livre e espontâneo. Da vontade de fazer isso ser real surgiu a primeira experiência: a Oficina de Composição Coletiva: uma vez no mês, um grupo de desconhecidos se unia para fazer uma música: do começo ao fim, em apenas um dia.

No primeiro encontro foram três pessoas, até que, ao longo dos meses se firmaram a média de 10 pessoas por encontro. Todas as músicas têm seu respectivo registro.

Hoje, o que acontece é mais um passo nessa jornada que é a de, não somente reunir pessoas para fazer música de forma espontânea. Agora pra gente é bem mais claro: a oficina é mais para conseguir usar a liberdade de expressão para além das palavras e também para além das frases bonitas, de efeito. É sobre criar uma comunidade de artistas que enxergam naquele momento um espaço seguro para testar, errar, brincar e, acima de tudo, criar.

O que antes era uma Oficina, agora se tornou um Escola Livre de Composição Coletiva. São diversos encontros seguidos, com um mesmo grupo de pessoas que passam pelo processo de elaboração de uma música. De novo, agora é mais sobre o processo do que pela música em si. Agora a música é a consequência do momento vivido.

Acompanhar essa dinâmica faz a gente mudar um pouco também. Nos faz querer parar de ver o resultado e estar presentes em cada momento, pois é disso que se trata.

Assim como agora, enquanto escrevo isso entendo que na ansiedade de colocar essas palavras pra fora eu não tinha bem claro o que queria dizer e agora, sim…




ConciênciaBruna Neto