O poder do engajamento comunitário

Faz pouco mais de um ano que me mudei de Florianópolis para Itapema. Minha maior preocupação era como formar uma rede de apoio em uma cidade em que eu não conhecia ninguém e, além disso, era um lugar de veraneio - até então era assim que minha visão limitada enxergava…

A grata surpresa foi que por intermédio de uma amiga conheci um grupo de pessoas de luta. São, na grande maioria mulheres, que estão dispostas a lutar para chamar a atenção para os problemas sociais de uma cidade pequena, onde o poder público opera mais para agradar os visitantes endinheirados que aqui chegam.

Eu ainda não tinha entendido o tamanho da força de engajamento desse grupo. A materialização disso aconteceu depois do caso da poluição do mar por causa do esgoto. É possível que você tenha recebido essa foto no Whatsapp:

Depois da viralização da foto, a cena da repercussão que estamos habituadas a ver é: ficamos indignadas, sentadas em nossos sofás, comentamos com algumas pessoas da família e a vida segue… É como se tomássemos uma distância de tudo que está acontecendo e quase que inconscientemente disséssemos: não é comigo, então está tudo bem.

O que aconteceu depois, pra minha grata surpresa, foi que logo depois da foto eu recebi também pelo meu celular, um chamado para que a comunidade se unisse para pressionar o poder púbico por respostas. Afinal, com a poluição todos perdem: tanto quem mora na região, quanto quem passa o verão (os casos de intoxicação foram graves e a cidade não tinha sistema de saúde preparado para tanta demanda). E no fim da história o que vimos foi mais um caso dos que estamos acostumados: a empresa responsável privatiza o lucro e socializa o prejuízo.

O chamado virou manifestação, a manifestação ganhou apoio popular e junto com isso uma organização da sociedade civil fiscaliza e articula atividades para monitorar a empresa responsável pelo tratamento de água na cidade.

Com isso eu tenho aprendido muito mais sobre micropolítica e como o apoio comunitário pode funcionar para conseguirmos as mudanças que precisamos. Ainda está longe do ideal pois o que vimos é primeiro o dano causado para depois as pequenas mudanças, mas sim, é um passo.

Minha singela contribuição foi registrar o que fez o grupo manifestante no dia!


ConciênciaBruna Neto