A ilusão de que meu pijama me bastaria

Trabalhar com comunicação sempre foi o caminho que imaginava trilhar. Equipes com um certo número de pessoas, gente criativa, que curte um trabalho colaborativo e que gosta de ver o resultado do trabalho em grupo. Bom, pelo menos era isso que eu pensava.

Tive a sorte de encontrar logo em um dos primeiros trabalhos uma equipe engajada, pronta pra resolver qualquer problema e entendia muito o que estava fazendo. Trabalhar em TV tem dessas coisas: é preciso estar em sintonia, pronto para correr e confiar no andamento das atividades, porque qualquer erro seria exposto pra milhares de pessoas no horário nobre. Nem preciso falar da pressão diária de viver sempre no limite, né?

Levando em consideração os rumos do mercado jornalístico, passei a estudar e migrar para marketing. Sempre ouvi da competitividade no mercado, de como o ambiente corporativo pode ser difícil de conviver. Metas estratosféricas, competição entre colegas, falta de flexibilidade me desmotivaram e dali para o princípio de depressão foi um pulo.

Depois do alerta de estafa do corpo, decidi por bem recalcular a rota, desacelerar, começar a trabalhar em casa fazendo freelancers. Afinal, o sonho de qualquer pessoa é trabalhar em casa, de pijamão o dia todo, no aconchego do seu sofá, certo? Bom, pelo menos era isso que eu — também — pensava.

A verdade é que administrar o tempo livre e trabalhar em casa são tarefas muito difíceis, que exigem entre outras coisas: disciplina e uma noção de autogestão muito bem desenhada.

Foi então que o isolamento bateu em minha porta e eu a abri, né?!

Confesso que de todas as coisas, o fato de estar em casa sozinha, na frente do meu computador, de pijamas, foi o que mais doeu. A rotina de acordar, tomar café da manhã e ir para o quartinho, ainda de pantufas e pijama trouxe também um hábito que me consumiu: o da procrastinação. Com ele vieram as tarefas adiadas, a ansiedade e o incômodo de não poder trocar sobre isso com ninguém.

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Assim que identifiquei meus principais desafiadores, passei a usar todas as dicas da internet: estabelecer horário de trabalho, usar a técninca “Pomodoro”, deixar o ambiente ergonomicamente viável, planejar o dia… Feito tudo isso, ainda sentia que faltava alguma coisa.

O primeiro passo depois de tudo isso era o da aceitação. Tive que aceitar que a cena — por mais confortável que parecesse — de ficar trabalhando com meu computador, pijamas e pantufas era, na verdade, uma ilusão.

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Porque eu sentia falta mesmo era de estar perto das pessoas, da troca, das conversas, do brilho nos olhos que dá ao sentar e conversar com alguém que te ajuda, te dá insights e te estimula a buscar mais!

O segundo passo foi buscar ativamente um ambiente acolhedor, com pessoas que atuam ativamente em busca de novas formas de nos relacionarmos, engajarmos, criarmos juntos. E como minha mãe costuma dizer: “cuidado com o que você pede!”, bingo!

Encontrei a Manifesto 55 que me deu de presente o desafio de atuar com a comunicação institucional e dos cursos da empresa, uma equipe que tem me abraçado e me ajudado nessa transição. De brinde ganhei também autonomia, horário flexível e novos colegas de trabalho que trazem bolos pras reuniões e me provocam a escrever textos como esses.

Resumo até aqui é que eu não me arrependo das escolhas, inclusive as erradas. Pois elas são parte do que eu sou e me deixam mais forte e experiente. É tempo de agradecer!

ConciênciaBruna Neto