Natália Oliani e o caminho da arte e determinação

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Escolhi fazer esse primeiro formato de entrevista com a Nat por ela ser não somente uma amiga, mas também uma fonte de inspiração. Foram mais de duas horas de conversa em que enquanto falávamos, estávamos ali, o tempo inteiro, sem nenhuma distração além dos desenhos que corriam pelas páginas enquanto ouvia suas palavras. A Nat tem no olhar e fala a sabedoria de uma bruxa que lê a alma das pessoas. Isso está representado em tudo que faz. Por isso espero que você possa conhecer cada vez mais o trabalho dessa senhora experiente de 22 anos de vida!

A arte sempre esteve presente e pulsante na vida de Natalia Oliani. Entre barracas e brincadeiras com o irmão, ela desenvolvia a criatividade e fazia das cabanas na sala de casa grande palácios, de olhares pro céus, voos por cima da atmosfera da terra.

“Sempre usei da arte, música, poesia, dança pra botar alguma coisa para fora. Minhas primeiras obras falavam sobre sentimentos… [eu] tentava transformar aquilo numa fantasia, mostrar de outras formas.”

Quando desejou conscientemente ser artista e resolveu compartilhar do seu sonho, o banho de água fria veio da madrinha, tão presente em todos os momentos marcantes de sua vida: para ser artista é preciso muito trabalho, ouviu. E assim tem sido até então. Uma jornada de muita determinação e trabalho para conseguir fazer da arte, uma carreira.

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Nascida e criada em Florianópolis, enxerga em sua família o apoio, incentivo e empurrões que precisa para caminhar. Depois de uma experiência no Canadá no ensino médio, onde Nat descobriu o interesse pela pintura, entendeu que seria esse seu caminho e desde então segue determinada nos estudos.

Atualmente vive em Nova Iorque, estuda na Escola de Artes Visuais (School of Visual Arts), mora no alojamento do curso e faz freelancers para financiar os estudos. Mas para que essa rotina fosse uma realidade, Nat precisou entender que não estava indo para o caminho que acreditava ser o certo.

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Em 2015, quando voltou para o Brasil, resolveu fazer o curso preparatório de vestibular. Em um dos dias, preferiu cabular a aula para ver uma palestra. Foi quando conheceu a representante da atual escola que estuda: “fiquei tão empolgada que não conseguia tirar o sorriso do rosto”.

Para fazer com o que sonho de estudar artes fora do Brasil se tornasse uma realidade fez uma lista de tarefas que precisaria cumprir para entrar no seleto grupo de bolsistas. Foram dois anos entre ter proficiência em inglês, montar portfólio e conseguir juntar dinheiro para bancar os cursos e aulas particulares. No meio da trajetória também passou no vestibular para Artes Visuais na Udesc e manteve o foco para conquistar o grande sonho.

Ao conseguir passar pela seleção, descobriu que o valor da bolsa que iria receber não seria o suficiente para que ela pudesse cobrir os custos. Quando foi contar pra madrinha, mais um choque de realidade. “[Fui] Do céu ao chão. Minha madrinha alertou que os valores eram inviáveis e disse que eu teria que encontrar outra solução. Ela me sugeriu de escrever uma carta pro diretor do faculdade contando a minha história e das motivações para que eu fizesse o curso e foi isso que eu fiz!

Para sua surpresa, Natália recebeu por carta um aviso dizendo que tinha recebido a bolsa máxima da faculdade. O que dessa vez tornaria possível fazer o curso!

Malas prontas, despedidas feitas, Nat saiu do Brasil e passou por grandes dificuldades financeiras logo no início da sua experiência: “os materiais são muito caros e eu não podia ficar sempre pedindo ajuda da minha família”. Recebeu ajuda de amigos da casa onde morava, de colegas de aula até conseguir pedir uma nova ajuda na universidade “ganhei cartões de vale-refeição de uma pessoa de dentro da faculdade, que também me ajudou com um alojamento e um cartão de transporte.”

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Hoje já consegue ter mais estrutura para estudar e sente uma evolução como pessoa e também nas suas artes. “Comecei a interpretar os desenhos como se esses seres habitassem dentro da gente, como se eles tivessem papeis. Comecei a tentar passar mensagens através deles… em relação ao medo, a nós mesmos, com o todo…“

Começando suas primeiras exposições fora do Brasil, Natália também é muito grata ao caminho que vive e principalmente as pessoas que apoiaram para que estivesse onde está agora. “Minha madrinha foi a pessoa que me trouxe a consciência da cultura e da arte. Meus pais e meu irmão me ajudam muito. Agradeço imensamente também aos amigos Drim e Cris Odara, que me apoiaram na construção do material que construí.”

Quando questionada sobre o futuro, Nat explica: “Tenho bastante clareza dos caminhos que eu quero seguir, mas tento não me prender muito nessas coisas“. Está focada no presente: “tenho feito o exercício de me aterrar”.

















históriasBruna Neto